Se existe uma tendência de o mercado falar sobre novos temas, como TI verde, cloud computing e redes sociais, na prática, velhos problemas continuam a rondar a maior parte dos CIOs. Entre as questões já antigas para esses gestores está a forma de solucionar de conciliar as demandas do negócio com os recursos disponíveis para a área de tecnologia.
A seguir, segue a transcrição de um encontro de CIOs realizado no Canadá e durante o qual os executivos discutiram uma questão recorrente: como alinhar os objetivos de negócio às atividades dos departamentos de TI.
CIO - Um dos desafios que se coloca aos líderes de TI é fazer com que o resto da organização entenda a relação entre o que querem e o que o departamento de tecnologia consegue entregar. Como vocês resolvem esse dilema?
Dan Blumenthal, diretor de TI da Vitlaire - As gerências de nossa empresa têm mudado radicalmente nos últimos dois anos. Além de termos pessoas novas nos cargos, elas apóiam pouco os processos de negócios da companhia. Por um lado, não estão exatamente felizes com o modo que os negócios são feitos, por outro, também não ficam satisfeitas com o suporte oferecido em termos de TI.
De maneira bastante objetiva, estamos nos reunindo com as unidades de negócios e vamos preparar um tipo de lista do que nós [como TI] queremos fazer e outra com prioridades para os próximos dois a três anos. De posse dessa relação de metas, sentarei com um plano de TI. E, depois disso, a ideia é reunir todos os líderes de negócios na mesma mesa e mostrar-lhes a relação de tarefas. Com base nessa lista vamos tomar as decisões futuras.
George Semeczko, CTO do RSA Group Caanda - Isso é muito parecido com o que estamos fazendo. Todo mês, eu realizo um encontro de executivos da empresa para analisar os resultados a partir de uma perspectiva de TI. Já temos todo o planejamento para este ano, incluindo custos envolvidos e projetos. Antigamente, costumávamos definir as iniciativas que nos interessavam e de que maneira nos as alcançaríamos. Agora nosso foco voltou para os negócios – são eles que decidem onde querem que concentremos nosso esforço.
Mas, mais importante do que isso é trazer um retorno para a questão de como a TI posso impulsionar os negócios. Ou seja, deixo que eles decidam se querem que eu invista mais recursos na elaboração de projetos, ou preferem riscar algumas iniciativas. Agora, a decisão para essas questões voltou a ser deles.
Cabe aos nossos departamentos munir a empresa com os recursos para decidir. Em se tratando de projetos em execução, é necessário ter ferramentas para definir custos, prazos e retorno envolvidos no projeto. Com essas informações, a empresa pode tomar a decisão acertada acerca do que fará e que impacto essa ação terá nos negócios.
Morteza Mahour, CIO do Royal Bank of Canada -
Olha, eu acho que estamos em outra fase de amadurecimento, se comparar ao que estão dizendo. Tradicionalmente, sempre estivemos bem em termos de orçamento para o desenvolvimento de aplicações. Em parte acredito que essa dinâmica se dê em função do alinhamento entre os objetivos da empresa e das possibilidades. Dessa forma, os executivos de negócios estão bem informados sobre o que podem e devem investir. Uma equipe afinada de técnicos possibilita esse casamento entre a demanda e o possível.
Acho que, com o passar dos anos, e na medida em que fomos ficando cada vez mais sofisticados, pudemos virar o jogo. No início deste ano, pela primeira vez no trimestre, pudemos voltar e dizer “aqui tem 25 projetos que foram pedidos, liberados e que nunca saíram do papel”. Isso por que não temos os especialistas para tocar as atividades. Há dois ou três anos estávamos concentrados na execução, na otimização, na capacidade e na terceirização. Naquele tempo, o gargalo dos processos éramos nós; mesmo assim tínhamos a impressão de fazer um bom trabalho ao aumentar a transparência a um nível que nos permite realizar o que planejamos.
Atualmente, passamos por transformações fundamentais e essa transparência é a melhor coisa que temos a oferecer. De agora em diante, se a diretoria-executiva, que realmente manda na empresa, disser que quer investir bilhões de dólares para inovar saberá direitinho no que essa decisão implica e que um especialista para cada projeto é essencial. No que se refere à infraestrutura, a história muda. Esse quesito é um tipo de buraco-negro, um lugar misterioso. Mas é fundamental mostrar para onde vão os recursos injetados nessa questão.
Bruce Fleming, CIO do Aecon Group - O que me chama a atenção nesse comentário é a parte que relega aos executivos a compreensão do que eles são capazes de fazer. Acho que é por aí mesmo. Quando o assunto é TI, o buraco negro da falta de noção é grande. As pessoas chegam com os projetos mais malucos, põem em sua mesa em questão de três segundos e voltam algum tempo depois com a frase: “Onde está aquilo que pedi?”
Acredito que nossa contribuição nos processos passou a ser demonstrar para os executivos qual envolvimento dos negócios é exigido para cada projeto desses. Se o negócio decide executar uma ação deve entender quais recursos serão necessários. Depois de observar isso, o CIO deve transferir para eles a responsabilidade de como transformar tudo em realidade quando, muitas vezes, seriam necessário 40 profissionais, mas só existem 4 na TI. Dessa maneira, eles ficam a par da discrepância entre o que pedem e aquilo que podem.
Por Computerworld